O Brasil atingiu um marco significativo em sua trajetória de transição energética. Dados consolidados referentes ao ano de 2024 revelam que a matriz energética nacional alcançou o patamar de 50% de fontes renováveis, o maior nível registrado desde 1990. Este desempenho coloca o país em uma posição de destaque no cenário internacional, superando amplamente a média global de utilização de fontes limpas e reforçando o compromisso com a descarbonização da economia.

O avanço das fontes solar e eólica

O crescimento da oferta de energia elétrica foi impulsionado, em grande parte, pela expansão acelerada das fontes solar e eólica. A geração solar fotovoltaica, que engloba tanto a geração centralizada quanto a micro e minigeração distribuída, registrou um salto expressivo de 39,6% em 2024, atingindo 70,7 TWh. Paralelamente, a energia eólica apresentou um crescimento de 12,4%, totalizando 107,7 TWh. Esses números refletem investimentos robustos em infraestrutura e uma mudança na dinâmica da matriz elétrica brasileira.

Parque eólico em operação no interior do Brasil

Recorde na capacidade instalada

Além do aumento na geração, o setor elétrico brasileiro registrou a maior expansão da série histórica em termos de capacidade instalada. Em 2024, o país adicionou mais de 10,8 GW à sua rede, um recorde desde o início das medições em 1997. A força das fontes renováveis é evidente: mais de 90% de toda a nova potência instalada no período veio de projetos solares e eólicos, consolidando a diversificação da matriz e reduzindo a dependência de fontes fósseis em momentos de pico de demanda.

Painéis solares em usina de grande porte

Estabilidade e desafios futuros

Embora as fontes renováveis tenham ganhado protagonismo, a hidrelétrica permanece como a principal base de sustentação do sistema, mantendo sua participação estável e garantindo a segurança energética do país. O setor de energia, como um todo, foi responsável por apenas 20% das emissões totais de CO2 no Brasil em 2024, um índice notavelmente inferior à média mundial, que gira em torno de 76%. Esse cenário é resultado de políticas públicas voltadas à transição energética e ao incentivo de biocombustíveis.

O desafio para os próximos anos reside em manter esse ritmo de crescimento enquanto se integra novas tecnologias e se aprimora a eficiência do consumo. Com o aumento de 5,5% no consumo de energia elétrica em 2024, o país demonstra uma economia em expansão que exige, cada vez mais, uma infraestrutura resiliente e sustentável. O Brasil segue, portanto, como uma referência global, provando que é possível conciliar desenvolvimento econômico com a preservação ambiental através de uma matriz energética diversificada e limpa.